
Há momentos em que um ato administrativo deixa de ser apenas uma formalidade e passa a carregar um significado maior. Foi o que ocorreu em Coroatá com a morte do professor e servidor público municipal Elielton Fernandes Polvoas, em 31 de agosto de 2026.
Por meio do Decreto nº 75/2026, o Município decretou três dias de luto oficial. O texto reconhece os relevantes serviços prestados pelo professor à educação de Coroatá e registra sua contribuição para o fortalecimento da educação municipal, para a formação e para o desenvolvimento da comunidade coroataense.
O decreto determina ainda que, durante o período de luto oficial, a Bandeira do Município seja hasteada a meio-mastro. É um gesto simbólico, mas símbolos importam. Eles dizem publicamente quem uma comunidade considera digno de memória, respeito e gratidão.
Valorizar um educador não deve acontecer somente enquanto ele está em sala de aula. Preservar sua memória também é uma forma de reconhecer o que ele ajudou a construir.
Reconhecimento que ultrapassa uma homenagem
A homenagem a Elielton provoca uma reflexão necessária. Professores não deixam como legado apenas conteúdos ensinados. Deixam gerações de estudantes, histórias de escolas, projetos, conselhos, exemplos e parte da própria memória de uma cidade.
Quando o poder público reconhece oficialmente essa trajetória, não está apenas confortando familiares e amigos. Está afirmando que o serviço prestado à educação possui valor coletivo e merece ocupar um lugar na memória institucional do município.
E nós, como estamos cuidando da memória de nossos educadores?
Essa pergunta também precisa chegar a Peritoró. Os acontecimentos recentes envolvendo a despedida de educadores que participaram da construção da história educacional local despertam uma questão legítima: estamos reconhecendo, na dimensão que merecem, aqueles que ajudaram a educar nossa cidade?
Não se trata de estabelecer uma competição entre municípios, nem de transformar o luto em disputa política. Trata-se de observar boas práticas e refletir sobre o valor que atribuímos à nossa própria memória. Uma nota institucional, um decreto de luto, uma homenagem pública ou o registro histórico da trajetória de um professor podem parecer gestos simples, mas representam muito para famílias, colegas, ex-alunos e para a comunidade.
Peritoró possui educadores que participaram das primeiras etapas de sua história escolar e profissionais que dedicaram décadas à formação de crianças e jovens. Quando essas pessoas partem, parte da memória educacional da cidade também corre o risco de desaparecer se não houver esforço para registrá-la e preservá-la.
Uma política de memória para a educação
Talvez a discussão deva ir além de homenagens ocasionais. Municípios podem construir uma verdadeira política de preservação da memória educacional: registrar trajetórias de professores pioneiros, preservar fotografias e documentos, ouvir antigos profissionais, nomear espaços educacionais de maneira criteriosa e reconhecer publicamente aqueles que contribuíram de forma relevante para a comunidade.
O gesto de Coroatá em relação ao professor Elielton Fernandes Polvoas mostra uma possibilidade. O decreto não devolve à família aquele que partiu, mas registra oficialmente que sua passagem pela educação municipal teve importância e não deve ser esquecida.
E é justamente aí que está a reflexão que fica para todos nós: uma cidade que reconhece seus educadores reconhece também uma parte essencial de sua própria história.
Decreto Municipal nº 75/2026 — luto oficial pelo falecimento do servidor público municipal Elielton Fernandes Polvoas.
Leia o Decreto nº 75/2026 →Este texto é um artigo de opinião. As considerações e reflexões expressas são de responsabilidade do autor.
